Freguesia de Vila Nova de Cacela

História

Foi a primeira sede do concelho de Vila Real de Santo António, antes do Marquês do Pombal ter decidido edificar uma cidade nova. Por todos os motivos, aqui se encontra grande parte do património desta região. A fortaleza e todo o centro histórico representam o expoente máximo a este nível.

Habitada inicialmente pelos fenícios, que não deixaram qualquer vestígio material, Cacela foi povoação de grande importância durante a passagem dos Romanos. Aqui foram encontrados, desse período, tanques, fustes de colunas, mármores, etc. Mas a presença humana na freguesia remonta a muitos séculos antes. Os dólmens cobertos das quinta da Nora e da Marcela e do lugar da Torre dos Frades assim o demonstram. Foram descobertas pelo arqueólogo Estácio da Veiga em finais do século passado. Ainda uma necrópole, espécie de cemitério dos tempo antigos, e vários instrumentos isolados.

Em 1240, foi Cacela tomada aos mouros, por D. Sancho II, que a doou à ordem de Santiago com o seu castelo. As escaramuças sucederam-se e os mouros voltaram a conquistar a povoação, que passaria definitivamente para a mão dos portugueses dois anos depois, sob o comando de D. Paio Pires Correia. Já então Cacela era um lugar muito desenvolvido. É uma sa sete vilas do Algarve cujo castelo figura no escudo nacional.

D. Dinis, em 17 de julho de 1283, concedeu foral a Cacela e elevou-a à categoria de concelho. O seu termo estendia-se até à parte terminal do rio Guadiana. A ordem de Santiago desenvolveu neste aspeto papel de grande importância, na colonização e defesa de todo o território. Em Cacela, no seu pequeno porto, desembarcaram em 24 de julho de 1833 as forças de Napier, de Pamela e do conde de Vila Flor, mais tarde duque da Terceira. Perfaziam mais de dois mil e quinhentos homens.

A decadência de Cacela como vila e concelho iniciou-se sensivelmente a partir do século XVIII, com os grandes terramotos de 1755 e 1807 e as ações de pirataria que muita destruição causaram. A partir da construção da estrada entre Vila Real de Santo António e Sagres e da construção da linha férrea, os principais interesses da freguesia passaram a movimentar-se entre os sítios da Venda Nova e do Buraco, onde se encontrava a maior parte da população. Em 1927, em consequência de toda esta situação, a sede da freguesia passava para aqueles lugares, denominado-se a freguesia, a partir daí, Vila Nova de Cacela. Do património cultural de Cacela, o destaque maior vai evidentemente para a sua fortaleza. Foi mandada construir em 1770 por D. Rodrigo de Noronha, que na altura era governador do reino do Algarve. Só foi terminada com D. Maria II, em 1794. A igreja matriz, consagrada a Nossa Senhora da Assunção, foi reconstruída depois do grande terramoto de 1755. José Vítor Adragão, em "Viagens na Nossa Terra", faz uma elogiosa referência a esta freguesia: "Mais à frente, na fachada do Algarve que já olha o mar, começam as praias de areia branca e águas quentes, alternando com aquelas que aproveitam velhas aldeias de pescadores, como é a Manta Rota, e as que saíram do nada. Mais à frente, Cacela-a-Velha espera por nós. O adjetivo é moderno. Serve para a distinguir de Vila Nova de Cacela, aldeia que cresceu junto à estrada e à linha do caminho-de-ferro e que deixou o antigo burgo entregue às memórias do passadoe remirando-se nas águas calmas da ria Formosa. Já os poetas mouros a cantavam, e parece que, antes ainda, for terra de fenícios. O que lá vemos hoje tem pouco da Cacela genuína, que o terramoto destruiu. E este é o lugar idela para terminarmos este passeio por terras do extremo algarvio." Foi 1.º barão de Cacela António Pedro de Brito Vila-Lobos, tenente-general do Exército, comendador da Ordem de Torre-e-Espada e cavaleiro da Ordem de Cristo. Nasceu em Tavira em 19 de Outubro de 1782 e morreu em Lisboa a 17 de Dezembro de 1841.