Freguesia de Vila Nova de Cacela

Locais de Interesse

A Fortaleza de Cacela Velha

Edificada no séc. X, em período de domínio islâmico, a fortaleza (ou Hisn) de Cacela teve como dupla função a proteção da população e o abrigo de uma pequena guarnição militar, tendo a mesma desempenhado um importante papel na vigia e defesa do litoral algarvio, com relevância estratégica no controle das embarcações que tentavam a entrada na Ria Formosa.

Ao longo dos tempos foi sofrendo várias transformações devendo apontar-se que a sua planta actual não corresponde à original. Apresenta hoje em dia uma planta estrelada com dois baluartes/guaritas erguidos a sul, em resultado das transformações executadas no Reinado de D. Maria I (1794), após o terramoto de 1755.

Actualmente alberga um posto de destacamento da brigada fiscal da GNR, desempenhando as funções para as quais sempre esteve habilitada, a vigia da costa.

Igreja de Nossa Senhora da Assunção

A actual igreja da Nossa Senhora da Assunção foi edificada nos inícios do séc. XVI substituindo uma outra mais remota da época medieval – a primitiva Igreja de Nossa Senhora dos Mártires. A nova Igreja (a actual), construída na parte mais elevada da povoação durante os sécs. XV/XVI, foi fortemente danificada pelo terramoto de 1755 e reconstruída no séc. XVIII (1795), por iniciativa do Bispo do Algarve D. Francisco Gomes do Avelar.

Apresenta um primoroso portal renascentista que sugere paralelos com outras localidades algarvias e exibe dois bustos dos apóstolos São Pedro e São Paulo. As pilastras são decoradas com figuras mitológicas.

A igreja apresenta três naves e uma capela lateral de Nª Srª dos Mártires, datada de 1586, com abóbada que se destaca pelo seu aparelho tardo-gótico.

Túmulo Megalítico de Santa Rita

Devem-se ao arqueólogo Estácio da Veiga nos finais do séc. XIX, as primeiras notícias sobre o património megalítico de Cacela, com a publicação dos achados provenientes dos túmulos da Nora e Marcela, classificados como Monumentos Nacionais mas hoje, infelizmente, desaparecidos.

Identificado em 2001, o túmulo megalítico de Santa Rita, com cerca de 4500 anos, representa um dos últimos testemunhos megalíticos bem conservados da região e, também por isso, um elemento patrimonial de elevada importância histórica e científica.

O monumento é constituído por um corredor longo (5 m) e por uma câmara funerária de planta de tendência rectangular (5m x 2m), coberta por grandes blocos de arenito local e por uma colina artificial, delimitada por um anel de pequenas lajes fincadas no solo. O ritual funerário identificado é constituído por deposições secundárias (ossário constituído por cerca de 20 indivíduos) acompanhadas por várias oferendas (cerâmica, lâminas, placas de xisto, etc…). A continuação da utilização de deste espaço nos milénios seguintes é comprovada pela existência de uma necrópole sobre a massa tumular, com um mínimo de oito indivíduos inumados em posição fetal.

A Chaminé e a Platibanda no Algarve

A partir dos anos cinquenta e sessenta, com o desenvolvimento do turismo e a instituição dos valores de um “Algarve típico”, as chaminés e as platibandas ornamentadas, viriam a tornar-se nos elementos mais característicos da arquitectura popular algarvia.

Expressões evidentes do domínio de técnicas ancestrais do trabalho da massa e, no caso concreto das platibandas, do «jogo» do ladrilho e/ou da telha, estes elementos pretendiam, pelo menos desde o século XVIII e mais expressivamente nos finais do século XIX e ao longo de toda a primeira metade do século XX, através das por vezes complexas gramáticas formais e decorativas e para lá do seu propósito funcional, mostrar a criatividade do mestre construtor e/ou o gosto do proprietário do imóvel onde se integravam.

Moinho de Vento do Arrife

As construções em taipa (técnica construtiva que compreende a utilização de solo, argila ou terra como matéria-prima básica de construção) no Sul de Portugal são significativas. O Algarve é uma das regiões do país que regista um número considerável de construções deste tipo, tendo sido utilizada na construção de castelos, muralhas e edifícios civis.

O troço que ainda resta da muralha de taipa (a nascente) de Cacela Velha, cuja datação é dificultada pelas constantes reparações consumadas ao longo dos tempos, foi objecto (em 2001) de escavações arqueológicas e trabalhos de restauro.

Este troço constitui um dos poucos testemunhos de tipo militar que ainda se pode encontrar na região, juntamente com a Fortaleza de Castro Marim ou o castelo de Paderne. A data de construção desta estrutura deverá situar-se entre os finais do séc. XV e a primeira metade do séc. XVI.

Fonte e Poço Velho de Santa Rita

Embora actualmente designada de “Primitivo Santuário de Santa Rita”, uma vez que, segundo reza a lenda, terá sido neste local que a santa inicialmente apareceu, esta construção antiga de planta quadrada, encimada por uma cúpula, foi originalmente uma fonte, conforme nos mostra a cartografia antiga.

Próximo desta edificação, foi erigido mais tarde o poço antigo que dá nome ao local. Até há bem pouco tempo atrás era aqui que a população vinha buscar água e dar de beber aos animais nas pias. Era também este o local onde as mulheres da aldeia lavavam a roupa nas pedras “de esfrega” e, mais recentemente, nos tanques, ainda visíveis no local.

Ermida de Santa Rita

A autorização para a construção desta ermida terá sido concedida em 1740 pelo rei D. João V ao prior Duarte Correia de Freitas Corte Real. Com o tempo, a povoação onde a mesma se edificou (anteriormente denominada de aldeia do “Pé da Serra”) ganharia a designação da padroeira que nomeia a ermida. Sendo consagrada à santa das causas impossíveis, apresenta uma só nave rematada por uma cúpula na zona da capela mor e um coro alto. Mais recentemente (séc. XIX), foi construída uma sacristia contígua à fachada norte.

Os momentos de maior afluência ao local coincidem com as duas ocasiões festivas da povoação: as festas em honra da santa, que se realizam em meados de Julho e as curas de Santa Rita – normalmente entre Maio e Julho, onde antigamente as pessoas que sofriam de “escrofuloso” vinham curar-se por meio de uma mezinha.